A destruição tem ruído

“Uma semente cresce sem som, mas uma árvore cai com ruído enorme. A destruição tem ruído, mas a criação é silenciosa. Esse é o poder do silencio. Crescer silenciosamente.”

Essa frase é do filósofo chinês Confúcio que data em torno dos anos 500 a.c.

O silêncio nunca foi tão escasso na civilização moderna. O ruído é presente em nosso dia a dia. Somos inundados por ruídos externos e internos. Os exemplos externos são inúmeros e fáceis de identificar. Buzinas, sons de motores, britadeiras, gritos, o barulho pulsante das grandes cidades que se superpõe em camadas infinitas de ruídos.

Os ruídos internos, para além dos barulhos internos dos nossos corpos, estão presentes em nossa mente. Sim, ela é ruidosa e muito barulhenta. Não é preciso ser um meditante avançado para tal constatação. Basta observar suas noites de sono. O encostar da cabeça no travesseiro revela muito sobre nossos ruídos internos. Aquele martelar de ideais, de sons, de pensamentos desconexos, que insiste em continuar incessantemente.

O ruído perturba, agita e desencadeia dores corporais. É nesse ruído contínuo, como um rádio não sintonizado, que parte das nossas capacidades emocionais e mentais se deterioram. E parte dos nossos problemas começam ou são amplificados nessa barulheira.

Se não conseguimos nos escutar o que dirá escutar o outro? E os problemas só se ampliam. Como é possível escutar uma linda melodia se há um som ensurdecedor encobrindo-o? Como escutar o outro com barulho na mente? Quantas vezes durante uma conversa trivial você esteve inteiramente focado no que o outro dizia? Sem ser atravessado pelo seu ruído mental?

É extremamente difícil escutar o outro se não somos capazes de escutar e cessar os nossos barulhos e ruídos internos. Improvável desenvolver relações afetivas profundas, íntegras e de profunda conexão se não há escuta do outro. É impossível nos entendermos, nos transformarmos e realmente caminharmos em direção da felicidade se não somos capazes de identificar esses ruídos e silencia-los. Não há como saber realmente quem somos se há uma balbúrdia de ruídos internos.

Sem escuta não há troca, se não há troca não há relação, se não há relação, não há afeto, se não há afeto, não há humanidade, sem humanidade não há potência criativa, e sem potência criativa não há criação, apenas destruição.

A vida se faz na inteligência suprema que se manifesta na sutileza do silêncio.

Encontrar o sentido da vida é encontrar o silêncio que reside em você.

OM TAT SAT!

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Kerala, India, 2019 – Photo By @fpampy

 

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