Até que ponto você está comprometido com a mudança?

Escuto muito por aí: preciso mudar, quero mudar, não aguento mais minha vida.

O sofrimento encarado sob uma perspectiva positiva nos ajuda a mudar; a  buscar outros hábitos, romper padrões, condicionamentos mentais e emocionais, interromper ciclos negativos e produzir grandes começos.

Romper hábitos implica necessariamente mudar condicionamentos mentais e emocionais. E é aí que o bicho pega! Como costumo dizer – mudar é trabalhoso, exige muito esforço, gasto de energia, comprometimento, tempo, investimento e, sobretudo, paciência e resiliência.

E, é justamente na hora “H”, no dia a dia, que observo que nem todos estão dispostos a pagar o preço! São inúmeras as desculpas conscientes e inconscientes produzidas por nossa mente nesse processo de sabotagem.  Não há mudança sem começo, meio e fim. Não há grandes mudanças sem pequenas e sólidas decisões diárias que implicam em pequenas mudanças.  Em resumo, implica forte envolvimento pessoal profundo e comprometimento.

A prática de ásanas é uma grande aliada na mudança de hábitos e de condicionamentos mentais e emocionais. Por meio da desintoxicação (e aqui me refiro a limpeza corporal e mental)  produzida pela prática de posturas, associada com a respiração, gradualmente novos hábitos vão surgindo, novas necessidades vão tomando o espaço das prioridades e os velhos padrões são deixados de lado. O que era fundamental passa a ser irrelevante.  É justamente pelos novos espaços que surgem com a prática que novos hábitos vão se acomodando. Sem contar com o aprendizado cotidiano de diálogo e negociação com nossas emoções (outro capítulo). Ao funcionar como uma limpeza, nesse entrar e sair de hábitos, que novos condicionamentos mentais e emocionais surgem.

Pela minha experiência pessoal, posso afirmar categoricamente que é um sistema eficaz e promove grandes transformações. Hábitos como levantar cedo e alimentação saudável podem mudar uma perspectiva de vida!

Bom, todas essas frases soam como clichês. E, certamente são, se não produzem experiências que atuem no campo emocional e mental. Palavras por si só não produzem mudanças efetivas de hábitos e condicionamentos mentais. A experiência, a internalização, é fundamental para a mudança. E isso leva tempo! Vem com a prática, por isso é muito comum ouvir em diversas escolas – pratique e tudo virá.

Almejar as transformações desejadas implica considerar um aspecto da prática fundamental – ABHYASA. A palavra em sânscrito se refere a uma prática regular e constante por um longo período de tempo. Patanjali, sábio que escreveu os Yoga Sutras, método bastante usado para obter o estado de YOGA, categoricamente diz:

abhyāsa-vairāgya-ābhyāṁ tan-nirodhaḥ ॥12॥

O Estado de Yoga é atingido pela prática constante e ininterrupata (abhyasa) e desapego (vairagya).

Qualquer que seja o caminho escolhido, o caminho do Yoga exigirá sempre uma boa dose de esforço regular e disciplina ao longo do tempo, qualidades essas que se renovam a cada passo da jornada. Além disso, dada a profundidade de nossos condicionamentos corporais, emocionais e mentais, a prática regular e constante é fundamental na dissolução desses padrões ao longo do caminho.

Portanto, não há prática de ásana, pranayama, mantras se não for para romper condicionamentos mentais e emocionais. Sim, causa incomodo! Sim, mexe demais! Sim, é você de frente com você!

Por isso, lhe pergunto, até que ponto você está comprometido com sua mudança?

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Mysore – Bangalore – India 2018  / Photo By @fpampy

 

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