A potência do silêncio

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Hoje pela manhã, durante a minha prática pessoal de yoga, fui tomada por um bem-estar que é raro, mas acontece, o prazer do silêncio. Mesmo em segundos é possível realizar a sua potência. A plenitude advinda do silêncio mental é indescritível. E na velocidade de segundos, ele se dispersa no pensamento: É isso! O silêncio!

Silêncio, produto raro nas prateleiras da vida durante essa quarentena. Informações, notícias, mídias sociais, lives no Instagram, mensagens no whatsapp, fake news, conversas pelo zoom, pelo hangout, pelo skype, tudo ao mesmo tempo e agora. A sensação ao final do dia é de pura exaustão, um desgaste para além da tensão que a situação por si só gera. Uma exaustão mental absurda causada pelo barulho que continua ecoando em nossas mentes.

O vírus deu uma torcida no tempo, o relógio adquiriu ritmo lento e impôs um freio de arrumação abrupto. Pede para desacelerar e parar. Parar de reagir, parar de buscar atividades, parar e ponto, nada mais. O tempo exige um freio de arrumação. amento no

No amassar de corpos que o freio repentino gera, percebemos o quão difícil é parar. Pânico. Não fomos programados a parar, contemplar, deixar o tempo passar. No ápice da aceleração máxima que os tempos exigem não há espaço para nada. Numa sociedade em que a produtividade é sinônimo de sucesso, parar é aterrorizante. Palavras como contemplar, desacelerar, fazer menos, soam como xingamentos. Tragados pelo vórtex da aceleração produzimos verborragias infinitas, dispersões, elucubrações, teorias, achismos, hipóteses, profecias, diversos barulhos ensurdecedores que ecoam em nós. Excessos sem sentido que poluem e perturbam, elevando exponencialmente a confusão e o sofrimento . Quantas fórmulas, quantos ensinamentos, quantas dicas, quantas receitas, quantas verdades. Nos entupimos de excessos até mesmo no momento de completa reclusão.

Não sabemos aonde esta jornada nos levará, não sabemos o que essa crise produzirá em termos subjetivos e coletivos. Mas das poucas certezas que ainda tenho nessa vida, posso afirmar sem pestanejar: o redimensionar do tempo e a criação de novas formas de viver e ser passam pela imperativa construção do silêncio interior. E o planeta nunca clamou tanto por ele.

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