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Aforismos

Sou Alessandra, antropóloga, praticante e professora de yoga, estudante de psicanálise e uma curiosa nata. Adoro escrever e aqui deixo alguns pensamentos, rascunhos, ideias soltas sobre assuntos que pulsam em meu coração e fervilham em minha mente.

Atitude diante do àsana (postura)

Após mais de uma década de yoga afirmo categoricamente – ásanas (posturas) são um ótimo recurso físico e mental para o autoconhecimento se praticados com a atitude adequada. Abaixo compartilho algumas observações pessoais advindas da minha experiência particular de práticas cotidianas. Digo isto porque não se trata de um passo a posso ou alguma fórmulaContinue reading “Atitude diante do àsana (postura)”

Sobre mães

De acordo com a  tradição védica, as mães configuram os primeiros gurus (aquele que retira da escuridão e conduz à luz) na vida de um indivíduo. Deve ser reverenciada e respeitada acima de tudo e todos. É a forma em corpo que representa a potência divina da criação, do cuidado, do prover, do amor incondicional,Continue reading “Sobre mães”

Reflexões quarentena

Um pouco mais de 30 dias de quarentena e a pergunta que sempre vem a minha cabeça é: quais fichas precisam cair? O que quero levar dessa experiência intensa da quarentena? Algumas, obviamente, são bastante compartilhadas por uma imensa massa de pessoas, principalmente por aquelas abertas às mudanças que o novo estilo de vida impostoContinue reading “Reflexões quarentena”

A potência do silêncio

Hoje pela manhã, durante a minha prática pessoal de yoga, fui tomada por um bem-estar que é raro, mas acontece, o prazer do silêncio. Mesmo em segundos é possível realizar a sua potência. A plenitude advinda do silêncio mental é indescritível. E na velocidade de segundos, ele se dispersa no pensamento: É isso! O silêncio!Continue reading “A potência do silêncio”

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Um ásana é apenas um ásana

Escuto muito: “Quero fazer tal asana.” Asana = postura de yoga”. Ou com um quê inatingível: “Queria tanto fazer aquela postura”.

Eu mesma já me peguei inúmeras vezes desejando aquela postura. O desejo sempre vem acompanhado de uma comparação, de uma imagem de perfeição, de um fetiche pelo objeto. Ser a postura. Nem que seja por um instante, eternizada pela foto perfeita.

Nada demais desejar, colocar um objetivo, ter um referencial de onde quer chegar. Porém, pergunto: para que? Eu lhe pergunto – para que desejar um asana? O que mobiliza esse desejo?

Um ásana é só um ásana. Ele vem, as vezes não vem, as vezes vem e se perde, as vezes se perde e volta.

Conquista-se o ásana. Ainda é desconfortável, trabalha-se para se sentir confortável. Aperfeiçoa-o até ficar lindo. Perfeito. A infernal experiência cede a quietude do respirar. Acontece suavemente, sem qualquer dificuldade, respira-se amplamente.

Delícia. Sinto-me pleno. Tédio, isso não tem mais graça. De uma hora para outra. Sem aviso prévio. O mistério se desfaz e abre lugar para o ordinário.

Qual é o próximo? Quero outro ásana para conquistar. Para devorar e depois descartar. Quando vemos percorremos o “sansara do ásana”. Passam anos, as vezes apenas meses, e a novidade deixa de ser interessante. Aquilo que te mobilizava deixa de ser tão excitante. A atenção já não está na execução da postura. Afinal ele acontece sem sacrifício, torna-se mecânico. A atenção vai para os pensamentos que cortam sua mente durante a prática. Tédio. Sempre a mesma sequência, os mesmos ásanas, a mesma história.

Tem algo errado. O professor não funciona mais, o estilo da yoga não me preenche, é difícil arrumar tempo, muito caro, a conjunção astral não permite, tá pesado, preciso disso, daquilo. À cada resposta são tantos os porquês.

Bom, se a intenção está na execução do asana, é possível que a yoga seja uma passagem em sua vida. Agora, se o processo de chegar ao asana lhe faz enxergar seus gatilhos e pensamentos limítrofes, se o encaixe da respiração lhe faz realizar que você pode relaxar mesmo diante das adversidades, se esse processo lhe faz acessar partes de si que não consegue enxergar, se o importante é respirar e ter um momento em que seus pensamentos lhe dão uma trégua e você se funde com o simples fato de poder se movimentar e respirar. E se por todos outros motivos que promovem o sem profundo bem-estar, é possível que você esteja para além da postura = ásana.

Não se iluda. Praticantes experientes e novatos sempre se perdem nesse jogo de formas. Patanjali, que organiza os ensinamentos do yoga em 8 passos, mais conhecido como Asthanga Yoga de Patanjali, já estabelece que sem yamas (preceitos éticos) e niyamas (preceitos morais) a pratica não se firma em solo fértil.

Olhar honestamente para o que mobiliza é fundamental para alinhar expectativas e, inclusive, reconfigurar rotas. Fazer um ásana adequadamente é importante, mas após um tempo de prática é importante refinar os pressupostos que embasam sua prática.

Mergulhar na profundidade do yoga é o caminho para burlarmos apenas a beleza das formas e mergulharmos na essência que sustenta a forma.

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